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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Um Sonho

Não se trata de um sonho
Despertar, depurar
E ao infinito se elevar
Não é sonho rumar ao cume da plenitude
É caminho, é traçado, é destino
É glorioso destino
A que se lança a criatura
Quando focada à marcha que a conduz a felicidade pura

Saiba que não estou a sonhar
Pois que vivo para caminhar
Percorrendo essa rota
Anelando também
O bem-estar e o bem-viver de todos aqui em volta
Não, não é sonho
É querer, é necessidade
É meta que se busca
E se alcança com trabalho e com vontade

Veja que em se tratando do que faço
Do que devo e do que posso
Quimeras se desfazem
São realidade na verdade
Ah, não é sonho
É percurso que almejo
Dou de mim a parte que me cabe
E do resto à conta do Espaço deixo

Mas sonhos...
Verdade que eles vêm de mim
Mas não só de mim eles vêm
Há um Anjo a soprar
No imo do meu coração
A realidade que se vai desenhar
Ele não permite que dela eu me afaste
Quer que eu espere
Me convida ainda a esse sonho seguir a sonhar

Sonhos...
Se assim se pode chamar...
Mas se assim chamas a voz Dele que nos vem visitar
Digo a ti: Sonhos há
Na verdade, um sonho
Um sonho em mim há
E se dele me perguntares
Não precisarei dizer-te, não
Pois o tempo um dia à vida mostrará
O sonho meu que não te posso revelar

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Eu Bem Diria

Dia a dia segue-me em companhia
Dia a dia eu bendigo Aquele
Que a mim concedeu tal maravilha
A companhia do Amor
Que é Luz e Vida
E que na minha própria vida
Se irradia todo dia
Bendigo Aquele
Que te faz viver em mim
Mesmo na ausência do dia a dia
Ah, quem diria
É minha flama de alegria
Minha sagrada harmonia
É plena paz nutrindo a alma minha
Tão singelo encantamento
Que me convida a cada dia
A dar de mim à vida
Tudo aquilo que não te posso dar ainda
Ah, quanto eu cresceria
O Amor por ti em mim
Ao meu Espírito
É luz e júbilo a cada dia
Eu vou além
Eu plano além de tudo o que imaginaria
E diferente não seria
Não há nada
Nada pelo que eu não agradeceria

Eis o dia
Que a própria ventura eu seria
Ah, quem diria
A dádiva que eu não mereceria
Que indizível bênção
Eu bem diria

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Flor Luminescente

E quando me vejo ao espelho
Ao tempo em que vagalumes lampejam
Reflete ele, também, as sombras que vicejam
Ah, em que retrato me vejo
Noites e dias que em mim mesma reconheço

Ah, meu reflexo no espelho
Tempos há em que as vistas se escurecem
E fecham-se os poros à Luz e ao Sol que nos aquecem
E tudo que eu vejo
Vultos e sombras, quando da Luz da Vida me esqueço

Mas à noite densa eu percebo
Sob o céu profundo em nebulosa azul escura
És tu a esperança branda que aos páramos fulgura
Sim, no meu reflexo eu te vejo
Tal flor luminescente na escuridão da alma minha, eu confesso

E assim menos me perco
E da Luz da Vida também menos eu me esqueço
Pois me eleva ao Infinito a luminescência tua viva em meu espelho
É por ti que chego
À Causa Primeira de toda luz que vejo


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Escolha que se Faz

Às vezes ela olha para trás
Parece até se lamentar
Ainda que saiba
Que sucedeu-se tudo da forma 
Que melhor deveria se dar
Do contrário, e tudo estaria 
A se agravar e a piorar
Pois era pequenina a moça ainda
E recém hoje tem aprendido
A melhor olhar e caminhar
Às vezes o ontem a vem visitar
Em telas vivas de som
De cores e brilhos que se instalam no olhar
Ela sabe que não deve lamentar
As escolhas de outrora
Demonstram agora
O Amor que acendeu
Derrubando os véus da ilusão
Que a mantinham junto ao breu
Ah, bendita Chama que irrompeu
Não se pode escolher mais
Aquilo que não leve ao clarão teu
Escolher a tua estrada
É viver a paz na caminhada
Viver a escolha que se faz
Em Amor e em Verdade
É seguir leve, radiante, sem olhar para trás
Eis porque vai a moça alegrada
Vive ela o que escolhe
Com Amor e com Verdade

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Outro Caminho Não Há

Trago nos olhos d’alma
A luz impressa da rota a trilhar
A claridade que acende
No horizonte como bólido a inflamar
Me detém e me cerca
Nem meus pés
Nem meu olhar
Podem dela desviar
Seguirei, por ela seguirei
Outro caminho não há
Outro caminho não se permitirá
Um passo que se dê
Fora dela bastará
Para que se façam sombras
Na face nossa
Que em retrato de dor
E de amargura se converterá
Ah, não resista ao seu chamar
Não desvie dela o olhar
A escuridão é densa demais
Para quem se perde ao caminhar
Vem, estendo-te a mão
Não estamos sozinhos
Não há solidão
Quando se tem visitado o coração
Pela Luz da Vida
Que nos imanta à reta direção
Vem, vamos caminhar
Vamos a nossa Luz brilhar
Para que na chama dela
Se amplifique tudo aquilo
Que a Vida tem a acrescentar
Sigamos, sigamos por ela
Pela Luz que nos abraça
E que no coração da Alma nossa
Se revela e põe-se a falar:
Vem, segue-me,
Outro caminho não há.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Sublime

Ela abre os braços assim, bem grande
Do tamanho do Universo parece o bastante
Como graceja ela
Risonha a menina de olhar sapeca
Fulgura algo ali
E flores muitas saem do peito dela
Que bela a melodia que a cerca
Há um nome que soa dali?
Ah, um nome... charmosa a moça sorri
E num piscar, que dádiva
Há uma névoa de luz a soprar
Que impregna ela toda
Tão doce, tão branda
Se expandindo pelo ar
Sublime, sublime, diz ela
À chuva das pétalas
Que vêm lhe tocar
Que bela a menina
Com a alma suspensa a flutuar

Ah, mas sabe ela onde ir
O Amor nela vive e não a deixa partir

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Feliz

Enquanto sigo a caminhar
Nesses dias ensolarados
Abaixo de todo céu azulado
É tu que sinto
Bem aqui dentro
Bem ao meu lado
E assim sigo eu
Em meio a luzes e cores
Ao canto das aves
E ao perfume das flores
Eu sigo assim
Feliz porque amo você

Feliz porque amo você
Sigo eu querendo-te o Bem
O Amor, a Paz
Da Vida o Tesouro Maior
Onde quer que possas estar
Com quem estiveres também

Ah, meu bem
Se não é o Amor a amar
Quem fala é o orgulho
Sequioso em aprisionar
Desejando para si somente
Tudo aquilo que lhe possa agradar
Meu bem...
Que possa o Amor amar
Pois onde ele fala
Toda sombra se faz apagar
Ele não quer possuir
Quer apenas doar
E daí se vê o ser feliz
Fruindo daquilo que pode dar
Fruindo do Amor que faz derramar

Ah, feliz daquele que aprende a amar
Feliz daquele que pode amar
E feliz sigo eu a caminhar...
...Feliz sigo eu por te amar

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Assim...

Por que te Amo?
Não posso responder
Pois Amor quando se ama
Do fundo mesmo
Não tem motivo,
Não há porquê
Na resposta que se der
Uma só condição
Que fosse nela aparecer
E amor, então,
Não se poderia mais dizer
Amor, pois,
Não haveria mais de ser

Amo-te assim,
Não precisa compreender
Amor quando se sente
É o que basta ao viver
Por si somente faz da vida
Sempre um belo amanhecer
E do coração de quem te Ama
Um jardim de luz
Sempre, sempre a florescer

Amo-te assim,
Não precisa compreender
Por ora sulca-se a terra
Que irá a semente receber
Para que em ti, também
Possa a Vida bela florescer
Do coração teu
Que passará o Amor a compreender

Amo-te assim
Não se apure em me entender
Há tempo de mergulho
Há tempo de renascer
E lá te Amo assim...
Sem início, sem fim



terça-feira, 25 de agosto de 2015

Quando o Mundo Parar Enfim

“Que o mundo pare de girar enfim”
Dizia a moça deitada no meio do jardim
“Sabes tu que meu todo se derrama”
E ao perfume das flores
Tocava ela levemente a grama
“Sem mais medo, sem mais pressa
Sem receio
Quero eu que pare o mundo
Por um segundo em que és tu meu mundo, todo por inteiro
O Sol, essas flores e essas aves
Testemunham que sou como pluma pelo ar
E nesse sopro que me envolve
Segue minha Alma a flutuar”
Mas se quedava a moça
Ainda deitada em meio ao jardim
Virou chuva na relva
Orvalho do capim
Era a cor das flores
Era o Sol que brilhava e que aquecia sem fim
Virou o beijo da Primavera
O abraço inteiro do jardim
A criança que espera
Era a névoa que se desprendia
Como perfume de jasmim
Deitada a moça, era ela o jardim
Cuja alma elevada ao Espaço
Em blandicioso revoar
Jorrava-se toda
Aguardando assim
O dia em que o mundo dela parasse enfim

domingo, 23 de agosto de 2015

Por trás da Fantasia

“Como poderia minha alma estar vazia?”
Gracejava a moça ao Velho
Que com o olhar a bem seguia
“Eu que como, que bebo e me divirto
Que tanto suo, prospero e adquiro
Acho eu que saberia
se carregasse alma vazia”

“Minha Filha,
O que falas é ventania
Que aturde a pobre alma
Que trazes sedenta de Vida e harmonia”
Ao olhar daquele Velho
Que era todo bonomia
Deixava agora a moça um pano da fantasia
“Bem sei
Que olho ao Alto e uma Estrela avisto ao Norte
Mas vou ao Sul, esperando boa sorte
Meu coração bate e meu olhar trás para cá
Mas sigo ainda em verdade para lá”
Em tão pouco que dizia
Tanto ela dizia
E ainda repetia
“Que sede, que fome
Tudo se consome
E sigo eu com a mesma sede e a mesma fome
Tanto mais aplaco esse vazio que me consome
E mais aumenta minha sede e minha fome”
O Velho Sábio era Luz na Alma em agonia
Não cansava, e a ela ele dizia
“Filha minha por detrás da fantasia,
Sei que te fartas
E não aplacas tua sede nem tua fome
Sei que choras em segredo
Para que ninguém te chame o nome
É grande a angústia de caminhar
Olhando sempre para trás
Querendo em outro caminho estar
Mas temendo os rumos a tomar
Filha,
Ouve quem te chama
Ouve a Alma tua que te chama
Tua Vida lá se encontra
É de onde tudo emana
Tudo, Filha
Bem por trás da fantasia
Tudo lá
Para que não mais siga
a Vida assim vazia”

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Em Mãos ou Coração?

O que se tem em mãos
Pode-se levar ao coração?
Ou somente vai ao coração
Aquilo que pode tocar ao coração?

O que se traz em mãos
Preenche mesmo o coração?
Ou o coração só se preenche
Com aquilo que se derrama do coração?

O que trazes ao coração?
É ele que está cheio?
Ou é de coisas que estão cheias as mãos?

O que é próprio de se ter em mãos
Fica ao relento, pois cai ao chão
Perde-se, passa
O que é próprio do coração
Não passa, pois transcende o tempo
A encarnação
Segue, se engrandece
Não passa, permanece

O que tenho eu posto ao coração?
Ou tenho eu depositado mais nas mãos?


terça-feira, 18 de agosto de 2015

A Outra Face

Minha amiga, não te posso exigir compreensão
Tampouco espero que me aprecie
Ou que me veja com o olhar do coração

Desculpe, amiga
Não te posso mentir, não
É verdade que reside em meu Espírito
O tesouro que ora trazes em tuas mãos

Ó, amiga
Não poderia ser diferente
Pois que esse tesouro já existe em mim
Desde muito antes de eu nascer
E existirá ainda após o meu corpo desfalecer

Amiga,
Não te quero o mal
Pelo contrário
Quero a ti o bem
Quero a ti a Vida

Mas saiba ainda, amiga
O que é do Espírito não se apaga, não se destrói jamais
O tesouro que vive em meu Espírito
É o maior tesouro do meu coração
E meu maior tesouro, minha amiga
Ainda se encontra em tuas mãos

Acredite
Dia chegará em que trarás também um tesouro ao coração
E então será dia de nascer amor, perdão e compreensão

Mas, por enquanto,
Sinto muito, amiga
Pois que seguirei guardando ao coração
O maior tesouro meu que ora tens em mãos

domingo, 16 de agosto de 2015

Véu que cai

O que se vê quando se mira ao espelho?
O que se vê além da imagem que se enxerga ao espelho?
Seria eu um corpo? Uma veste?
Ou estaria eu em um corpo? Em uma veste?

Se não sou eu um corpo, uma veste
Sou eu algo que os precede
Sou eu algo que a existência excede
Pois que Eu sou além do tempo
E serei Eu também além da veste

Se Eu sou além do tempo
E já o era antes do corpo que me veste
Por que tanto apego aquilo que parece?
O Eu que sou não deveria nutrir-se daquilo que não perece?

Veja que se habita um corpo, uma veste
Habita-se uma casa, mas a casa não se é
Encontro-me aqui num campo de tarefa terrestre
Eu não sou a tarefa, mas a tarefa me cabe e me compete

Temos planos enquanto num corpo, numa veste
Almejamos tantos e ora eles sucedem
Mas a quem ou ao que em verdade eles servem?
São para o Eu que sou além do tempo e além da veste?
Ou são um engodo, que não preenche, só parece?

Como um véu que cai, a verdade transparece
Eu, além do corpo, além da veste
Não posso ser feliz ingerindo o que parece
Pois em vazio e amargura a vida se excede
Ainda que por breves momentos
Pareça eu “feliz” pelo gosto forte que entorpece
Gosto forte de uma fuga que fenece

O Eu que sou, que um dia despoja a veste
Vê fomentada a felicidade no tesouro que não perece
Onde está meu coração?
Não estaria lá também o tesouro que não perece?

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Já imaginou?

E do teu lado,
Digo que tudo é alegria
A vida canta a mais bela melodia
Ao teu ladinho
E todo dia
Seria sempre a minha pura maravilha
Já pensou? Pensaria?

Teu sorriso
É tarde de Sol na minha vida
Calor que na alma se irradia
E teus olhinhos
Todo dia
Aos meus seriam a minha plena alegria
Sabe disso? Saberia?

E todo dia
Ao meu ladinho, ousaria?
Seria eu olhando-te aos olhinhos,
Acarinhando-te a face
Do boa noite até o bom dia
Um beijinho
Tuas mãozinhas
Todo dia
O que por ti eu não faria?
Já imaginou? Imaginaria?

Todo dia
Eu e tu, ó alegria
Será que deixaria?
Todo dia
Do boa noite até o bom dia
Tu e eu
Imagina como seria?
Lá no fundo
Por que não se permitiria?

É paz que busca
É paz que eu te daria
Tudo que tenho
Todo, todo dia
Mas você deixaria,
Quem sabe, algum dia?
Hein, Amor meu da vida minha? 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Espelho d'Água

Aproxima-se a moça novamente
Querendo abeirar-se daquela mesma Fonte
Nós te vemos, sim, querida Amiga
Mas o que tanto procuras
Que em ti mesma não encontras?
Algo a ti foi dado
Algumas migalhas,
Fragmentos que te revelam
Quase ao escuro
Cenas do Futuro e do Passado
Pois sim, bem sabemos
Que algo disso temos te dado
E o que ainda procuras que não tens encontrado?
Como um limbo que te enclausura
Estás presa entre o passado e o futuro
Que no Espelho d’Água te temos mostrado
Debruçada nesta Fonte te vemos bastante
Estás aqui hoje como fruto do Passado
Mas miras na fonte um lampejo do Futuro
Que a ti será destinado
Sabemos que o hoje te tem angustiado
O amanhã no Espelho d’Água desenhado
Ao mesmo tempo te alegra
E te maltrata pois que ainda não é chegado
Ó querida Amiga
Cuja Alma na Fonte tem se debruçado
Não consegues ver a dádiva que a ti tem se mostrado?
Futuro e Passado
Que no Espelho da Alma tua temos soprado
Não é algo a ser desprezado
Mas dizemos-te ainda algo
A ti que tanto tens Esperado
Sabes bem a que caminho está teu coração vinculado
Outra rota e ao peito o traria pesado
Segue, Amiga, segue por ele
Ainda que não possas ver agora
Como o Futuro ao Presente será ligado