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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Quando o Mundo Parar Enfim

“Que o mundo pare de girar enfim”
Dizia a moça deitada no meio do jardim
“Sabes tu que meu todo se derrama”
E ao perfume das flores
Tocava ela levemente a grama
“Sem mais medo, sem mais pressa
Sem receio
Quero eu que pare o mundo
Por um segundo em que és tu meu mundo, todo por inteiro
O Sol, essas flores e essas aves
Testemunham que sou como pluma pelo ar
E nesse sopro que me envolve
Segue minha Alma a flutuar”
Mas se quedava a moça
Ainda deitada em meio ao jardim
Virou chuva na relva
Orvalho do capim
Era a cor das flores
Era o Sol que brilhava e que aquecia sem fim
Virou o beijo da Primavera
O abraço inteiro do jardim
A criança que espera
Era a névoa que se desprendia
Como perfume de jasmim
Deitada a moça, era ela o jardim
Cuja alma elevada ao Espaço
Em blandicioso revoar
Jorrava-se toda
Aguardando assim
O dia em que o mundo dela parasse enfim

domingo, 23 de agosto de 2015

Por trás da Fantasia

“Como poderia minha alma estar vazia?”
Gracejava a moça ao Velho
Que com o olhar a bem seguia
“Eu que como, que bebo e me divirto
Que tanto suo, prospero e adquiro
Acho eu que saberia
se carregasse alma vazia”

“Minha Filha,
O que falas é ventania
Que aturde a pobre alma
Que trazes sedenta de Vida e harmonia”
Ao olhar daquele Velho
Que era todo bonomia
Deixava agora a moça um pano da fantasia
“Bem sei
Que olho ao Alto e uma Estrela avisto ao Norte
Mas vou ao Sul, esperando boa sorte
Meu coração bate e meu olhar trás para cá
Mas sigo ainda em verdade para lá”
Em tão pouco que dizia
Tanto ela dizia
E ainda repetia
“Que sede, que fome
Tudo se consome
E sigo eu com a mesma sede e a mesma fome
Tanto mais aplaco esse vazio que me consome
E mais aumenta minha sede e minha fome”
O Velho Sábio era Luz na Alma em agonia
Não cansava, e a ela ele dizia
“Filha minha por detrás da fantasia,
Sei que te fartas
E não aplacas tua sede nem tua fome
Sei que choras em segredo
Para que ninguém te chame o nome
É grande a angústia de caminhar
Olhando sempre para trás
Querendo em outro caminho estar
Mas temendo os rumos a tomar
Filha,
Ouve quem te chama
Ouve a Alma tua que te chama
Tua Vida lá se encontra
É de onde tudo emana
Tudo, Filha
Bem por trás da fantasia
Tudo lá
Para que não mais siga
a Vida assim vazia”

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Em Mãos ou Coração?

O que se tem em mãos
Pode-se levar ao coração?
Ou somente vai ao coração
Aquilo que pode tocar ao coração?

O que se traz em mãos
Preenche mesmo o coração?
Ou o coração só se preenche
Com aquilo que se derrama do coração?

O que trazes ao coração?
É ele que está cheio?
Ou é de coisas que estão cheias as mãos?

O que é próprio de se ter em mãos
Fica ao relento, pois cai ao chão
Perde-se, passa
O que é próprio do coração
Não passa, pois transcende o tempo
A encarnação
Segue, se engrandece
Não passa, permanece

O que tenho eu posto ao coração?
Ou tenho eu depositado mais nas mãos?


terça-feira, 18 de agosto de 2015

A Outra Face

Minha amiga, não te posso exigir compreensão
Tampouco espero que me aprecie
Ou que me veja com o olhar do coração

Desculpe, amiga
Não te posso mentir, não
É verdade que reside em meu Espírito
O tesouro que ora trazes em tuas mãos

Ó, amiga
Não poderia ser diferente
Pois que esse tesouro já existe em mim
Desde muito antes de eu nascer
E existirá ainda após o meu corpo desfalecer

Amiga,
Não te quero o mal
Pelo contrário
Quero a ti o bem
Quero a ti a Vida

Mas saiba ainda, amiga
O que é do Espírito não se apaga, não se destrói jamais
O tesouro que vive em meu Espírito
É o maior tesouro do meu coração
E meu maior tesouro, minha amiga
Ainda se encontra em tuas mãos

Acredite
Dia chegará em que trarás também um tesouro ao coração
E então será dia de nascer amor, perdão e compreensão

Mas, por enquanto,
Sinto muito, amiga
Pois que seguirei guardando ao coração
O maior tesouro meu que ora tens em mãos

domingo, 16 de agosto de 2015

Véu que cai

O que se vê quando se mira ao espelho?
O que se vê além da imagem que se enxerga ao espelho?
Seria eu um corpo? Uma veste?
Ou estaria eu em um corpo? Em uma veste?

Se não sou eu um corpo, uma veste
Sou eu algo que os precede
Sou eu algo que a existência excede
Pois que Eu sou além do tempo
E serei Eu também além da veste

Se Eu sou além do tempo
E já o era antes do corpo que me veste
Por que tanto apego aquilo que parece?
O Eu que sou não deveria nutrir-se daquilo que não perece?

Veja que se habita um corpo, uma veste
Habita-se uma casa, mas a casa não se é
Encontro-me aqui num campo de tarefa terrestre
Eu não sou a tarefa, mas a tarefa me cabe e me compete

Temos planos enquanto num corpo, numa veste
Almejamos tantos e ora eles sucedem
Mas a quem ou ao que em verdade eles servem?
São para o Eu que sou além do tempo e além da veste?
Ou são um engodo, que não preenche, só parece?

Como um véu que cai, a verdade transparece
Eu, além do corpo, além da veste
Não posso ser feliz ingerindo o que parece
Pois em vazio e amargura a vida se excede
Ainda que por breves momentos
Pareça eu “feliz” pelo gosto forte que entorpece
Gosto forte de uma fuga que fenece

O Eu que sou, que um dia despoja a veste
Vê fomentada a felicidade no tesouro que não perece
Onde está meu coração?
Não estaria lá também o tesouro que não perece?

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Já imaginou?

E do teu lado,
Digo que tudo é alegria
A vida canta a mais bela melodia
Ao teu ladinho
E todo dia
Seria sempre a minha pura maravilha
Já pensou? Pensaria?

Teu sorriso
É tarde de Sol na minha vida
Calor que na alma se irradia
E teus olhinhos
Todo dia
Aos meus seriam a minha plena alegria
Sabe disso? Saberia?

E todo dia
Ao meu ladinho, ousaria?
Seria eu olhando-te aos olhinhos,
Acarinhando-te a face
Do boa noite até o bom dia
Um beijinho
Tuas mãozinhas
Todo dia
O que por ti eu não faria?
Já imaginou? Imaginaria?

Todo dia
Eu e tu, ó alegria
Será que deixaria?
Todo dia
Do boa noite até o bom dia
Tu e eu
Imagina como seria?
Lá no fundo
Por que não se permitiria?

É paz que busca
É paz que eu te daria
Tudo que tenho
Todo, todo dia
Mas você deixaria,
Quem sabe, algum dia?
Hein, Amor meu da vida minha? 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Espelho d'Água

Aproxima-se a moça novamente
Querendo abeirar-se daquela mesma Fonte
Nós te vemos, sim, querida Amiga
Mas o que tanto procuras
Que em ti mesma não encontras?
Algo a ti foi dado
Algumas migalhas,
Fragmentos que te revelam
Quase ao escuro
Cenas do Futuro e do Passado
Pois sim, bem sabemos
Que algo disso temos te dado
E o que ainda procuras que não tens encontrado?
Como um limbo que te enclausura
Estás presa entre o passado e o futuro
Que no Espelho d’Água te temos mostrado
Debruçada nesta Fonte te vemos bastante
Estás aqui hoje como fruto do Passado
Mas miras na fonte um lampejo do Futuro
Que a ti será destinado
Sabemos que o hoje te tem angustiado
O amanhã no Espelho d’Água desenhado
Ao mesmo tempo te alegra
E te maltrata pois que ainda não é chegado
Ó querida Amiga
Cuja Alma na Fonte tem se debruçado
Não consegues ver a dádiva que a ti tem se mostrado?
Futuro e Passado
Que no Espelho da Alma tua temos soprado
Não é algo a ser desprezado
Mas dizemos-te ainda algo
A ti que tanto tens Esperado
Sabes bem a que caminho está teu coração vinculado
Outra rota e ao peito o traria pesado
Segue, Amiga, segue por ele
Ainda que não possas ver agora
Como o Futuro ao Presente será ligado


domingo, 2 de agosto de 2015

Por Entre As Folhagens

A criança é feliz quando brinca
Pelas flores, no campo, no jardim
Para crianças grandes, nem sempre pode e deve ser assim
A pobrezinha terá que ficar pelas folhagens
Arredando folhas para observar a paisagem
Não pise aí, menina!
Não atravesse a folhagem!
Veja de longe e alegra-te com a imagem
Pobre criancinha grande
Dengosa, caiu ao chão:
Não, Pai
Eu não quero ter essa força
Não, meu eu menor não quer ter essa força
E digo-te assim
Em tom de risada marota
Por favor, Pai
Não me faça ter ainda essa força

E naquela bela e iluminada tarde
Foi tudo o que se viu e se ouviu por entre as folhagens