E quando me vejo ao espelho
Ao tempo em que vagalumes
lampejam
Reflete ele, também, as
sombras que vicejam
Ah, em que retrato me vejo
Noites e dias que em mim
mesma reconheço
Ah, meu reflexo no espelho
Tempos há em que as vistas
se escurecem
E fecham-se os poros à Luz e
ao Sol que nos aquecem
E tudo que eu vejo
Vultos e sombras, quando da Luz
da Vida me esqueço
Mas à noite densa eu percebo
Sob o céu profundo em nebulosa
azul escura
És tu a esperança branda que
aos páramos fulgura
Sim, no meu reflexo eu te
vejo
Tal flor luminescente na
escuridão da alma minha, eu confesso
E assim menos me perco
E da Luz da Vida também menos
eu me esqueço
Pois me eleva ao Infinito a
luminescência tua viva em meu espelho
É por ti que chego
À Causa Primeira de toda luz
que vejo

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