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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A Mais Bela Flor do Meu Amor

A passear por um jardim de flores
Seguia ela para lá e para cá
Ora espinhos, ora pedras
Dizia a moça: “Oh, devo cuidar”
Mãos na terra e sementes nas covas
Bem ditosa, punha-se a regar

Num dia desses de leves cores
Ao chão ia ela se ajoelhar
Nascera ali naquelas terras
O que lhe custava acreditar
Orvalho trazia ela no olhar
Tocada, via plumas a flutuar... em ciranda rodar...
Via o tempo parar
E da voz saía o coração a gorjear:

“A mais bela flor
A mais bela flor do meu amor
Que ilumina o jardim do meu interior
Como é suave o teu tocar
Como é leve o teu frescor
O abraçar do teu perfume me é enternecedor
Minha mais bela flor
Vive tu no meu jardim pra sempre
Viva está assim em mim pra sempre”



sábado, 15 de novembro de 2014

Oblívio

Às vezes esqueço
Pego-me investindo em outras ideias
Com reiterado apreço

Quando eu esqueço
Pego-me lutando em vão
Contra o que eu desconheço

Há vezes em que lembro
E todo o resto vira mera ideia
Que desvanece sem lamento

Nas vezes em que lembro
Tal é a grandeza do que eu conheço
Que me liberto de qualquer outro intento


domingo, 13 de julho de 2014

Das Minhas Vidas

Amor da minha vida
Amor meu das minhas vidas
Vidas muitas que passaram
E vidas muitas que ainda passarão

Tua caminhada é de mim distante
Mas peço a Ele que sejas tu operante
Repousa agora em meu peito a fronte
Pois nossa alegria é o esforço incessante

Amor meu,
O pranto breve fará bela
A flor dorida
Que a nós se concedeu
Amor meu,
No mesmo hálito
Respiramos tu e eu
Moras em meu todo
És tu que sinto e vejo
Tal qual bálsamo
Sempre aqui no todo meu

Amor da minha vida
Quis Ele a nossa despedida
Para bem, também
Que aprendêssemos a amar a vida

Os tombos muitos de outrora já passaram
Acertemos hoje os passos rumo a nossa ascensão
Flores belas e dores outras, todas passarão
Mas do coração da minha alma é o teu o gêmeo irmão

...Desde as vidas que passaram
Às vidas muitas que ainda passarão.


domingo, 1 de junho de 2014

Em Uma Tela Distante

Casinha simples de portas abertas
Entram nela os que buscam
Um facho de luz em dias de cinza névoa
Quem esteve fora, de perto viu o furacão
Dentro dela hoje laboram
Acolhendo a dádiva de oferecer nobremente o pão

Crianças filhas do mundo
Sequiosas e lépidas que rogam
Um pouco de amor a dar-lhes de volta rumo
Ao pão teu e a palavra minha
Em festa ficaram todas
Filhas nossas agora pelo coração em companhia

Um encontro em tarefa
Um amor operante
Pintados em uma tela distante
O abraço em trabalho
O conchego edificante
Retratados em uma tela distante
O zelo em compromisso
A reforma confiante
Pincelados em uma tela distante
Em progresso a Ele
A obra a dois caminhantes
...em uma tela distante.



domingo, 30 de março de 2014

Botões no Pântano

Aquelas róseas pétalas de doce aroma  
Brotavam plácidas  
Por entre a densa lama 
  
Acercamo-nos de suas notas suaves  
Balsamizando, céleres 
Nossos sentidos frágeis 

Tamanhas as nossas incertezas... 
Mutuamente declaramos 
A guerra das nossas fraquezas 

Ó, desabrochar terno e de candura 
Nem percebemos 
Os botões de nossa ventura

Raios de Sol a cruzar nossas vistas 
Mal continham nossas cegas desditas 
Cristalina garoa de cima vertida 
Que traz à tona a verdade escondida... 

Bendita água da vida 
Que retifica o passo 
Ao expor a ferida 

Pendia turva de outrora 
A alma moça 
Que não mais demora 

Ó lama dispendida 
Converteu-se em pura 
Luz à senda da vida 

Do olhar, cessam borrões 
Dando lugar 
A paisagens de botões 

Plantou-se no coração 
A flor nascida 
De orvalhada transformação 

Ó querela do calor 
Consolidou pra sempre 
A chama viva do amor


domingo, 23 de março de 2014

Tráfego

Por que você não cruza a esquina?
Ou, quem sabe, atravessa a mesma rua
Que a minha?

Um sorriso, um abraço, um cheiro...
Na bochecha, um estalado
E demorado beijo.

Seja na ida, seja na volta.
O caminho, a rota...
Não é o que importa.

Esbarra em mim por essas ruas da vida
Mais uma vez...
Nossa história já é conhecida.

Quero ver de novo teu abanar de mão
Ao abrir o sinal...
Dobra mais uma vez aqui no meu coração.


quarta-feira, 12 de março de 2014

Da Noite dos Tempos

Tão cariciosa emoção a tocar-me
Verto uma lágrima de encanto
Ao respirar o amor jungido ao teu nome

Sinto a chuva banhando-me o ser
Quando choro de terna alegria
Na esperança de a mão poder te estender

Pranto que orvalha meu coração
Sois o ensaio à água da vida
A aguardar-nos desde a criação

Bálsamo em forma de lacrimejar
Que faz em júbilo ao peito bater
Aquele que aprendeu a te amar

Campo luminoso de aves e flores
Descerrada é a tela do amor
Pintada aos meus olhos nas mais tenras cores.

Amor meu de conchego perene
Reconhece o laço que nos irmana?
Pois da noite dos tempos segue ainda indene

Brisa branda que nos abraça
E que delicada nos beija a face
Tal é, amor meu, o fio que a ti me enlaça.


sábado, 25 de janeiro de 2014

Crianças no Jardim

Crianças no jardim
Lépidas a brincar
Serelepes que só
A viver tardes sem fim

Crianças no jardim
Apressadas a brincar
Distraídas que só
Mal ouviram os querubins

Duas crianças
Pela estrada sem fim
As palmas mediam
E o coração batia “sim”

Pobres crianças
Pequeninas no jardim
Se as almas cantarolavam
Pela boca não era assim

Crianças, crianças
Que caminham aos confins
Passo e passo separados
Que ainda rimam afins

Crianças celestes
Filhas do amor sem fim
Aguardando e trabalhando
Até o convite dos serafins

Crianças divinas
Dotadas de amor sem fim
Haverá de novo a tarde
De reencontro no jardim


Um Laivo

Por um segundo fugaz,
Um laivo de um momento cruza meu pensamento.
Quisera eu, algumas páginas para trás revirar...
Em busca daquela bela ilustração
Que a minha alma e ao meu coração satisfaz.

Ó folha das minhas doces recordações
A mais cara de minhas coleções
O vento sopra e as revolta aos turbilhões
Mas tu é a de brilho guia em meio às constelações.