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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Daqui para lá...


Havia uma janela, um tanto opaca, um tanto bela.
Vi borrões, vi cores e rastros de esgoela.
A chuva caía, o vapor subia e a paisagem ia...
O Sol voltava, radiante, que bem que me fazia!...
Um passo mais, agora perto, que transparência!...
Morri tão cedo? Nasci de novo? Não, tanto faz...
É somente a luz que aviva a consciência.
Os ventos sopram, as aves voam e a banda passa.
A rosa brota, as flores crescem, a vida fala.
À beira dela, bem na janela, o segredo adentra...
Ilusão, que nada. Sorriso largo... que só aumenta.
Ainda lá, cerrando o olhar, a brisa leve vem lhe falar...
“Esteja aí, esteja bem, pois o que vai, de volta vem”.
Passos pra lá, janela cá, e a tal da música ainda a soar.
A casa cheia, de sons e cores, luzes e amores, aqui e acolá.
Abri a porta, pois que entre, sim, pode entrar... 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

À tona...


Como ondas incessantes, quebrando uma a uma ao mar...
As correntes recuam, a maré baixa.
Vê-se a linha do horizonte, dividindo o céu e aquele oceano profundo e abundante.
A paz se espalha, colorindo o firmamento de púrpuras, vermelhos, rosas e grenás.
O Sol, majestoso em seu ocaso, conduz um último farfalhar de asas de gaivotas cantantes.
Por um momento tão breve, o breve se desvenda, lançando-se ao longe do olhar, ele se revela...
Uma brisa das marés, um feixe de luz, um bater de coração.
...Eternidade. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Quando o momento chegar...

Quando o momento chegar, talvez percebas a diferença entre viver à tempestade e à garoa... Em meio ao caos tu te colocas, os ventos sopram contra ti, com força, dificultando teus movimentos. Agir parece-te difícil, acabas por inclinar-te à reação... Parece mais fácil, mais confortável, que o ímpeto vigoroso da chuva decida teus passos incertos, que a violência das rajadas dirija tua trajetória, ainda que recalcitrante... Há nuvens densas e enegrecidas que cobrem tuas vistas, não conhece do Sol senão seus raios a se esgueirarem por entre as nuvens... Ainda. Haverá o dia em que te deixarás tocar pela garoa fina a brindar-te dos céus... Tua alma se revitalizará ao contato suave da chuva, silenciosa, a inundar-te o coração. Se a tempestade te convidas à fuga, instigando-te os instintos, a garoa te conduzirás a permanecer, a apreciá-la, gota a gota, sensibilizando-te ao que move, verdadeiramente, os passos da vida. Quando o momento chegar, teu coração se tornará Sol, irradiando em teu próprio ser, envolvendo-te em fluído luminoso e caloroso, a dissipar as nuvens que se aglomeram ao teu redor e dificultam-te a visão. Haverá o dia em que o caminho te será claro, colocarás teus pés no solo com firmeza, não mais pertencerá ao caos das tormentas, pois terás te guiado à mansuetude das brisas da eternidade. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um segundo olhar...


Antes de nos determos às imperfeições alheias, que tomemos consciência de que também as temos. Esperamos tolerância e indulgência de terceiros, temos dado também? Muitas vezes somos surpreendidos por algum desconforto causado por outrem, pensamos em quão desagradável é estar em tal situação, mas pensamos que, eventualmente, também podemos estar sendo a causa de certo desconforto ao próximo? Em algum momento estaremos na condição de "vítima", que pensemos com cautela e humildade antes de nos colocarmos como algozes. 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Fazendo o "balanço"...


Chegando a essas épocas de final de ano, o pensamento de “um ano passa rápido” é praticamente constante. Geralmente, usamos este momento para refletir a respeito dos acontecimentos, das alegrias, das tristezas, daquilo que fizemos, daquilo que não fizemos também, enfim. O hábito de mergulhar em si próprio, de auto-conhecer-se é tarefa árdua, mas é necessário, é preciso que demos apenas o primeiro passo para que a caminhada venha como consequência. Se um ano passa rápido, o que dizer de minutos, de horas do nosso dia a dia? Por que esperar um ano inteiro de oportunidades se passar para fazermos o balanço de nossas vidas? Que tomemos tal atitude como forma de instigar nosso contato com nós mesmos, fazendo tais “balanços” com mais frequência. Que nos acostumemos a nos enxergar de maneira acolhedora, nos escutando abertamente, sem medo. Que saibamos avaliar nossas ações, identificando falhas e as aceitando, pois serão elas a argila de nosso próprio trabalho. Que tenhamos força para agir no bem, indo ao encontro das nossas metas, pesquisando em nosso fundo as condições mais dignas de as alcançar. Por conversarmos conosco a cada dia, vasculhando nossa alma, em um ano, em uma virada de ano, provavelmente, não encontraremos mais tantos sentimentos amontoados, sejam arrependimentos, anseios, angústias, etc. Estando próximos do momento de grande reflexão, de grande retrospecto, como o passar de um ano, por exemplo, que estejamos com os espaços da nossa alma prontos para serem preenchidos por novas experiências. Estejamos constantemente limpando nossa morada, escutando-nos, agindo e abraçando as oportunidades que nos surgem. Luz e Paz. ;)