Havia uma janela, um tanto
opaca, um tanto bela.
Vi borrões, vi cores e rastros
de esgoela.
A chuva caía, o vapor subia
e a paisagem ia...
O Sol voltava, radiante,
que bem que me fazia!...
Um passo mais, agora
perto, que transparência!...
Morri tão cedo? Nasci de
novo? Não, tanto faz...
É somente a luz que aviva
a consciência.
Os ventos sopram, as aves
voam e a banda passa.
A rosa brota, as flores
crescem, a vida fala.
À beira dela, bem na
janela, o segredo adentra...
Ilusão, que nada. Sorriso
largo... que só aumenta.
Ainda lá, cerrando o
olhar, a brisa leve vem lhe falar...
“Esteja aí, esteja bem,
pois o que vai, de volta vem”.
Passos pra lá, janela cá,
e a tal da música ainda a soar.
A casa cheia, de sons e cores,
luzes e amores, aqui e acolá.
Abri a porta, pois que
entre, sim, pode entrar...

