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domingo, 23 de agosto de 2015

Por trás da Fantasia

“Como poderia minha alma estar vazia?”
Gracejava a moça ao Velho
Que com o olhar a bem seguia
“Eu que como, que bebo e me divirto
Que tanto suo, prospero e adquiro
Acho eu que saberia
se carregasse alma vazia”

“Minha Filha,
O que falas é ventania
Que aturde a pobre alma
Que trazes sedenta de Vida e harmonia”
Ao olhar daquele Velho
Que era todo bonomia
Deixava agora a moça um pano da fantasia
“Bem sei
Que olho ao Alto e uma Estrela avisto ao Norte
Mas vou ao Sul, esperando boa sorte
Meu coração bate e meu olhar trás para cá
Mas sigo ainda em verdade para lá”
Em tão pouco que dizia
Tanto ela dizia
E ainda repetia
“Que sede, que fome
Tudo se consome
E sigo eu com a mesma sede e a mesma fome
Tanto mais aplaco esse vazio que me consome
E mais aumenta minha sede e minha fome”
O Velho Sábio era Luz na Alma em agonia
Não cansava, e a ela ele dizia
“Filha minha por detrás da fantasia,
Sei que te fartas
E não aplacas tua sede nem tua fome
Sei que choras em segredo
Para que ninguém te chame o nome
É grande a angústia de caminhar
Olhando sempre para trás
Querendo em outro caminho estar
Mas temendo os rumos a tomar
Filha,
Ouve quem te chama
Ouve a Alma tua que te chama
Tua Vida lá se encontra
É de onde tudo emana
Tudo, Filha
Bem por trás da fantasia
Tudo lá
Para que não mais siga
a Vida assim vazia”

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