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domingo, 30 de março de 2014

Botões no Pântano

Aquelas róseas pétalas de doce aroma  
Brotavam plácidas  
Por entre a densa lama 
  
Acercamo-nos de suas notas suaves  
Balsamizando, céleres 
Nossos sentidos frágeis 

Tamanhas as nossas incertezas... 
Mutuamente declaramos 
A guerra das nossas fraquezas 

Ó, desabrochar terno e de candura 
Nem percebemos 
Os botões de nossa ventura

Raios de Sol a cruzar nossas vistas 
Mal continham nossas cegas desditas 
Cristalina garoa de cima vertida 
Que traz à tona a verdade escondida... 

Bendita água da vida 
Que retifica o passo 
Ao expor a ferida 

Pendia turva de outrora 
A alma moça 
Que não mais demora 

Ó lama dispendida 
Converteu-se em pura 
Luz à senda da vida 

Do olhar, cessam borrões 
Dando lugar 
A paisagens de botões 

Plantou-se no coração 
A flor nascida 
De orvalhada transformação 

Ó querela do calor 
Consolidou pra sempre 
A chama viva do amor


domingo, 23 de março de 2014

Tráfego

Por que você não cruza a esquina?
Ou, quem sabe, atravessa a mesma rua
Que a minha?

Um sorriso, um abraço, um cheiro...
Na bochecha, um estalado
E demorado beijo.

Seja na ida, seja na volta.
O caminho, a rota...
Não é o que importa.

Esbarra em mim por essas ruas da vida
Mais uma vez...
Nossa história já é conhecida.

Quero ver de novo teu abanar de mão
Ao abrir o sinal...
Dobra mais uma vez aqui no meu coração.


quarta-feira, 12 de março de 2014

Da Noite dos Tempos

Tão cariciosa emoção a tocar-me
Verto uma lágrima de encanto
Ao respirar o amor jungido ao teu nome

Sinto a chuva banhando-me o ser
Quando choro de terna alegria
Na esperança de a mão poder te estender

Pranto que orvalha meu coração
Sois o ensaio à água da vida
A aguardar-nos desde a criação

Bálsamo em forma de lacrimejar
Que faz em júbilo ao peito bater
Aquele que aprendeu a te amar

Campo luminoso de aves e flores
Descerrada é a tela do amor
Pintada aos meus olhos nas mais tenras cores.

Amor meu de conchego perene
Reconhece o laço que nos irmana?
Pois da noite dos tempos segue ainda indene

Brisa branda que nos abraça
E que delicada nos beija a face
Tal é, amor meu, o fio que a ti me enlaça.