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sábado, 21 de dezembro de 2013

Tarefa

Por cima de meus ombros, lanço um olhar
Com ternura te vejo, num passado,
Por ora a me visitar
Pudera eu, de relance assim,
Somente um tiquinho,
Os planos Dele sondar

O que estará lá para nós?
Será que um dia, lá, estaremos nós?
Pretenso engano, ao menos,
Supor que o tempo poderia
O som desta voz abafar

Ah!... melodia que me embala, saudosamente,
Tal qual brisa leve de Verão
De quando em vez, harmonicamente,
Notas belas ao tom do coração

E num piscar de olhos eu chego à superfície...
Outra verdade não há, cada qual é seu artífice
Por onde ando, eu não te vejo
Por onde plantas, não mais semeio
Distintos campos, distintas vinhas
E para lá a gente caminha...

Mas não pense que meus braços encontram-se abertos
tão somente a tua espera
Não, ocupados, eles têm aprendido, também,
a abraçar o mundo que os cerca
Ainda que me chames, tal qual música por entre frestas,
Eu te respiro e sigo em frente,
Eis agora minha tarefa



domingo, 20 de outubro de 2013

Dias de Setembro

Momentos que guardo
Momentos que lembro
Dias de Setembro
Retidos no peito
Suaves ao vento

Melodias que ecoam
Ressoam por dentro
As cores de Setembro
Em cada esquina
Sobrevivem ao tempo

Feito laço mimoso
A unir sentimentos
Perfeitos momentos
Selados os elos
Dias de Setembro 

sábado, 25 de maio de 2013

Bastidores do Tempo...


Ela vai acariciar, de leve, teu rosto
Retendo os dedos, placidamente,
Em teu queixo à luz exposto.
Os olhos dela aos olhos teus,
Com ternura e com firmeza,
Sem mais véus em meio ao breu.

Noites de sombras
E vultos ao vento.
Há ainda espaço
Para tanto desalento?

Doce brilho de candura
Que escapa de teu olhar
Cabisbaixo, de receio e de brandura.
Ela, com seus braços abertos,
Recebe do teu sorriso dócil
Aos teus passos incertos.

Ó dias de fugas
E correr renitente.
Se tão perto
Por que sabotares tua mente?

Ela sorve o lamento;
Gosto acre, gota a gota,
Já é de seu conhecimento.
A fronte ao alto ao nosso norte
Ela te beija a face, com amor,
A desejar-te boa sorte.

Ela velará por teus ensaios
Às obras retas.
Não estará em palcos,
Tampouco em peças
Ou na plateia; estará lá,
Nos bastidores do tempo,
Aguardando por tua estreia. 


domingo, 5 de maio de 2013

Desvelo...


Quando era noite, gelada e muda
Percebi chegada; tão breve... tão sua
Mansamente, com desvelo, a acolher-me
Tão doce, minha aura agasalhara à tua
Notas de baunilha pelo ar...
Toques atemporais...
Trazendo precipitação
Leve e cristalina ao olhar
Entre o Céu e a Terra
Entre a Terra e o Céu
Silente comoção, coração a coração
Tão singela profundeza
Demove-me qualquer ação
Mas pode repousar
Pois teu apelo
Nunca será em vão
À força de um sussurro
Um sopro que me resta
Eu afugento aquilo tudo
Que te afliges ainda o coração
Shhh... Dorme em mim...
Teus pés doem...
Dorme, sim...
O Sol descerra meus olhos
Envolve-me em seu calor
Ele é o mesmo que te abraça
A longas distâncias, também, meu amor
Que os raios dele acendam luzes em ti
Que te atinjam o coração
Tal qual um choque
Te levando a despertar
Um dia te encontrarás
Um dia tornaremos a nos encontrar
Um dia... 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O Presente...



“Filha, desce aí mais uma vez...
Tu vais fazer mais umas coisinhas
E terás algo a mais te servindo de estímulo.
O destino dos homens
É se abrir para esta verdade, minha filha,
De alguma forma, ela desabrochará no coração de todos.
Eu te concederei revivê-la, minha pequena...
Desta vez, neste tempo,
Creio que saberás o que fazer”
Ah... Tu sabes o que em mim reside...
Sabes que o apelo que a Ti levo
É feito em verdade e em abnegação
Seria como o Teu Sol em meu espírito
Tua luz em minha estrada
Permitir que tal alcance me fosse conferido
Sob os moldes deste mundo, também
No qual ainda habito
Mas tudo bem, eu sei...
É aos Teus desígnios que me submeto
De bom grado, Pai
Pois o maior dos presentes já me deste...
O presente que reavivou minha alma
Em certeza e em verdade
Fazendo com que pudesse voltar a Ti
E reconduzir meus passos à Vida Maior. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Antítese...


Você não vai saber
Não vai sentir
Não vai descobrir
Tudo o que um dia poderia
Mas que resolveu não permitir
Saberá que o tempo passou
Sentirá a presença do que ainda existe
E descobrirá que uma vida de arrependimentos
É tudo o que sabe, permite e insiste
...
Acorda e vem
Vem hoje ou amanhã
O que passou, passou
E o que importa não voou
Existe aqui
Desde ontem, hoje
Sempre e mais além
Acorda, bem!...
Ainda há tempo
Vem... 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Olha ao teu redor...


Eu te vejo assim, brincando, pulando...
Pintando de cores cintilantes a fachada do teu lar.
Há grande empenho em mantê-lo de pé...
...e também há pressa em redecorar suas fissuras, não é?
Ao teu redor há cimento, há pás...
Há mãos laboriosas e dispostas a tuas vigas solidificar.
Mesmo assim, corres por entre pedras e baldes tombados...
Saltando por cima de fossos e arames farpados.
Será só traquinagem?...
Haverá a hora de crescer um dia, pequena criança.
Nem que para isso tenhas que ver tuas esculturas de areia se desfazendo...
Dançando ao vento, junto com teus castelos infláveis e panos coloridos.
Não temas o vendaval, num dia ou noutro ele varre o que se constrói no pó.
Não o culpes, não, pequena criança.
Tua terra será limpa para que recomeces tua tarefa.
O que é verdadeiro jamais perecerá...
Estará perto, ao teu lado e em ti. Sempre.
Olha ao teu redor... 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

E se?...

Geralmente, conforme avançamos, passamos a ver o passado com outros olhos. O amadurecimento, muitas vezes, nos afirma que teríamos tomado outra resolução se estivéssemos de volta àquela dada situação. Há quem se torture com pensamentos como "ah, se eu...", "mas e se?...". É, o momento se foi, mas não devem haver motivos para reminiscências, não, pois o que fizemos era exatamente o que estávamos aptos a fazer na época, e, talvez, até o que, de fato, necessitávamos vivenciar. Se é para se fazer cobranças, que as façamos no presente. O passado foi como deveria ter sido. Cabe-nos, agora, recolher todas as lições que avistamos pelo caminho e abarrotar as malas de aprendizado para os momentos futuros. A tarefa, a árdua tarefa de praticar o que aprendemos, fazendo os ajustes necessários, é algo para hoje, para amanhã, para sempre. Adiar esse processo é nos depararmos, novamente, com as mesmas situações de sempre, as mesmas dores e as mesmas frustrações. Nunca sabemos que oportunidades e planos a vida nos reserva, mas, certamente, quando o servidor está pronto, o serviço aparece. Que nos prontifiquemos e nos tornemos merecedores

Se...


E se houvesse sido dito algo em meio ao som das cordas?
E se houvesse sido dada uma chance sob a grama, embaixo do céu e do Sol?
E se a escolha feita houvesse sido a de se unir às luzes da cidade ao cair da noite estrelada?
Ao passado, a reflexão.
Ao presente, o crescimento.
Ao futuro, a certeza de que...
Se partir, serei a lembrança querida.
Se voltar, serei o calor de um abraço.
Se ficar, serei a chama branda que aquece.
Se tropeçar, serei o afago.
Se tombar, serei a mão estendida.
Se perder o controle, serei braços fortes e olhar terno.
Se perder o rumo, serei o farol a clarear o breu.
Em silêncio, serei o coração que emana amor.
Em resguardo, serei a alma que reparte luz. 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Pracinha...

Sabe aquele som que faz, quando uma criança brinca de balanço? E se embala pra frente, pra trás... Risos aqui e acolá... E no meio de tudo isso, se ouve aquele barulhinho dos metais se atritando, os quais parecem já não ver óleo há um bom tempo...
Toda vez que ouço esse barulhinho, imagens cruzam os meus olhos...  revelando cores em movimento, rostos amigos, cantorias sapecas... Por uma fração de segundo, é como se eu pudesse enxergar a manifestação da mais plena alegria em todos os lugares.
Ah, infância... A Era da Alegria Sem Fim, onde momentos se eternizavam e sugeriam que o “mal” nunca haveria de nos encontrar.
É... a vida vai se mostrando aos poucos, nos exigindo coisas diferentes.
A caminhada continua, cada etapa ao seu turno. Nossas pegadas ficaram nas areias daquele tempo e daquele lugar, mesmo assim, seus ecos ainda repercutem dentro de nós... com carinho, alegria e satisfação.
Mas quando escuto ‘aquele’ som... Ah, eu me transporto novamente para aquela saudosa e viva pracinha.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Apenas...

Os sons distantes, insistentes...
Eles te perturbam, eu o sei.
Tens mantido teus olhos abertos, largamente,
Afugentando a ideia de que aquilo que te afliges
Não está no que te cercas.
Por que temes tanto fechá-los?
Tua alma anseia ao teu encontro.
Deixa-a fluir do teu coração.
Deixa-a sussurrar aos teus ouvidos.
Acolhas a tal eloquência.
Deixa-a te conduzires ao infinito.
Apenas peço-te, meu bem,
Fecha teus olhos...
...e aviva-te.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Daqui para lá...


Havia uma janela, um tanto opaca, um tanto bela.
Vi borrões, vi cores e rastros de esgoela.
A chuva caía, o vapor subia e a paisagem ia...
O Sol voltava, radiante, que bem que me fazia!...
Um passo mais, agora perto, que transparência!...
Morri tão cedo? Nasci de novo? Não, tanto faz...
É somente a luz que aviva a consciência.
Os ventos sopram, as aves voam e a banda passa.
A rosa brota, as flores crescem, a vida fala.
À beira dela, bem na janela, o segredo adentra...
Ilusão, que nada. Sorriso largo... que só aumenta.
Ainda lá, cerrando o olhar, a brisa leve vem lhe falar...
“Esteja aí, esteja bem, pois o que vai, de volta vem”.
Passos pra lá, janela cá, e a tal da música ainda a soar.
A casa cheia, de sons e cores, luzes e amores, aqui e acolá.
Abri a porta, pois que entre, sim, pode entrar... 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

À tona...


Como ondas incessantes, quebrando uma a uma ao mar...
As correntes recuam, a maré baixa.
Vê-se a linha do horizonte, dividindo o céu e aquele oceano profundo e abundante.
A paz se espalha, colorindo o firmamento de púrpuras, vermelhos, rosas e grenás.
O Sol, majestoso em seu ocaso, conduz um último farfalhar de asas de gaivotas cantantes.
Por um momento tão breve, o breve se desvenda, lançando-se ao longe do olhar, ele se revela...
Uma brisa das marés, um feixe de luz, um bater de coração.
...Eternidade. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Quando o momento chegar...

Quando o momento chegar, talvez percebas a diferença entre viver à tempestade e à garoa... Em meio ao caos tu te colocas, os ventos sopram contra ti, com força, dificultando teus movimentos. Agir parece-te difícil, acabas por inclinar-te à reação... Parece mais fácil, mais confortável, que o ímpeto vigoroso da chuva decida teus passos incertos, que a violência das rajadas dirija tua trajetória, ainda que recalcitrante... Há nuvens densas e enegrecidas que cobrem tuas vistas, não conhece do Sol senão seus raios a se esgueirarem por entre as nuvens... Ainda. Haverá o dia em que te deixarás tocar pela garoa fina a brindar-te dos céus... Tua alma se revitalizará ao contato suave da chuva, silenciosa, a inundar-te o coração. Se a tempestade te convidas à fuga, instigando-te os instintos, a garoa te conduzirás a permanecer, a apreciá-la, gota a gota, sensibilizando-te ao que move, verdadeiramente, os passos da vida. Quando o momento chegar, teu coração se tornará Sol, irradiando em teu próprio ser, envolvendo-te em fluído luminoso e caloroso, a dissipar as nuvens que se aglomeram ao teu redor e dificultam-te a visão. Haverá o dia em que o caminho te será claro, colocarás teus pés no solo com firmeza, não mais pertencerá ao caos das tormentas, pois terás te guiado à mansuetude das brisas da eternidade. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um segundo olhar...


Antes de nos determos às imperfeições alheias, que tomemos consciência de que também as temos. Esperamos tolerância e indulgência de terceiros, temos dado também? Muitas vezes somos surpreendidos por algum desconforto causado por outrem, pensamos em quão desagradável é estar em tal situação, mas pensamos que, eventualmente, também podemos estar sendo a causa de certo desconforto ao próximo? Em algum momento estaremos na condição de "vítima", que pensemos com cautela e humildade antes de nos colocarmos como algozes. 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Fazendo o "balanço"...


Chegando a essas épocas de final de ano, o pensamento de “um ano passa rápido” é praticamente constante. Geralmente, usamos este momento para refletir a respeito dos acontecimentos, das alegrias, das tristezas, daquilo que fizemos, daquilo que não fizemos também, enfim. O hábito de mergulhar em si próprio, de auto-conhecer-se é tarefa árdua, mas é necessário, é preciso que demos apenas o primeiro passo para que a caminhada venha como consequência. Se um ano passa rápido, o que dizer de minutos, de horas do nosso dia a dia? Por que esperar um ano inteiro de oportunidades se passar para fazermos o balanço de nossas vidas? Que tomemos tal atitude como forma de instigar nosso contato com nós mesmos, fazendo tais “balanços” com mais frequência. Que nos acostumemos a nos enxergar de maneira acolhedora, nos escutando abertamente, sem medo. Que saibamos avaliar nossas ações, identificando falhas e as aceitando, pois serão elas a argila de nosso próprio trabalho. Que tenhamos força para agir no bem, indo ao encontro das nossas metas, pesquisando em nosso fundo as condições mais dignas de as alcançar. Por conversarmos conosco a cada dia, vasculhando nossa alma, em um ano, em uma virada de ano, provavelmente, não encontraremos mais tantos sentimentos amontoados, sejam arrependimentos, anseios, angústias, etc. Estando próximos do momento de grande reflexão, de grande retrospecto, como o passar de um ano, por exemplo, que estejamos com os espaços da nossa alma prontos para serem preenchidos por novas experiências. Estejamos constantemente limpando nossa morada, escutando-nos, agindo e abraçando as oportunidades que nos surgem. Luz e Paz. ;)