“Que o mundo pare de girar enfim”
Dizia a moça deitada no meio do jardim
“Sabes tu que meu todo se derrama”
E ao perfume das flores
Tocava ela levemente a grama
“Sem mais medo, sem mais pressa
Sem receio
Quero eu que pare o mundo
Por um segundo em que és tu meu mundo, todo por inteiro
O Sol, essas flores e essas aves
Testemunham que sou como pluma pelo ar
E nesse sopro que me envolve
Segue minha Alma a flutuar”
Mas se quedava a moça
Ainda deitada em meio ao jardim
Virou chuva na relva
Orvalho do capim
Era a cor das flores
Era o Sol que brilhava e que aquecia sem fim
Virou o beijo da Primavera
O abraço inteiro do jardim
A criança que espera
Era a névoa que se desprendia
Como perfume de jasmim
Deitada a moça, era ela o jardim
Cuja alma elevada ao Espaço
Em blandicioso revoar
Jorrava-se toda
Aguardando assim
O dia em que o mundo dela parasse enfim

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