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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Renúncia

Que bela, e lá vai ela
Novamente à beira daquela velha janela
Ah, moça
Quem sabe podias tê-la avistado antes
Quando aberta estava a janela
Que novamente se fecha
Sei, dizes que estavas cega
Mas não fiques assim mais,
Cara e sonhadora donzela
Vês que chega a hora de não mais caminhares por entre as pedras
É chegada a hora de não mais semeá-las como fizeste outrora
Ah, moça
Sei bem o que guardas aí
Sei bem que é o motivo do teu sorrir
Basta ver o que tens feito do teu jardim
Florido, florido
Borboletas e cores
E luzes sem fim
Moça, fechada vai a janela
Não forçar a abertura dela não impede que te faças bela
Moça à janela,
É o brilho do encanto e do lamento
Ao teu olhar que te fazem bela
Sei que é a renúncia de um canto
Que a voz da alma tua tem desejado tanto
Mas canta, moça
Canta baixinho a voz do teu coração
Somente assim poderá ser ela ouvida em meio à multidão
Tua renúncia será água cristalina
Que te irrigará as paisagens da alma e a ela trará vida
Moça da janela,
Faças em ti a vida bela
Até que sejas, um dia
Convidada novamente ao outro lado da janela
Àquele sublime festim que tua alma tanto anela

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