Que bela, e lá vai ela
Novamente à beira daquela
velha janela
Ah, moça
Quem sabe podias tê-la
avistado antes
Quando aberta estava a
janela
Que novamente se fecha
Sei, dizes que estavas cega
Mas não fiques assim mais,
Cara e sonhadora donzela
Vês que chega a hora de não
mais caminhares por entre as pedras
É chegada a hora de não mais
semeá-las como fizeste outrora
Ah, moça
Sei bem o que guardas aí
Sei bem que é o motivo do
teu sorrir
Basta ver o que tens feito
do teu jardim
Florido, florido
Borboletas e cores
E luzes sem fim
Moça, fechada vai a janela
Não forçar a abertura dela
não impede que te faças bela
Moça à janela,
É o brilho do encanto e do
lamento
Ao teu olhar que te fazem
bela
Sei que é a renúncia de um
canto
Que a voz da alma tua tem
desejado tanto
Mas canta, moça
Canta baixinho a voz do teu
coração
Somente assim poderá ser ela
ouvida em meio à multidão
Tua renúncia será água
cristalina
Que te irrigará as paisagens
da alma e a ela trará vida
Moça da janela,
Faças em ti a vida bela
Até que sejas, um dia
Convidada novamente ao outro
lado da janela

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